No comercial Somos pelos cães, da Pedigree, há um trecho em que o narrador diz “Os de raça e os rafeiros”. Essa frase me evocou a discussão – muito em voga nos últimos tempos entre admiradores de cães – sobre comprar um cão de raça ou adotar um vira-latas. Até bem pouco tempo atrás, um cachorro era tão objeto quanto uma bolsa (embora muitos não se dessem conta disso), logo, assim como há quem só use Louis Vuitton, havia – e ainda há - quem só quisesse um cachorro de raça. O motivo é o mesmo em ambas as situações: status.
De uns tempos para cá, as coisas começaram a mudar. Aparentemente, felizmente muitas pessoas têm perdido o preconceito contra os vira-latas e adotado os cães sem raça definida (SRD). Isso, porém, acarreta consigo dois problemas.
O primeiro é que isso fez surgir um preconceito contrário: há quem condene os donos de cães de raça. Alguns argumentos até são válidos: quem compra cachorros de canis está contribuindo para a indústria dos filhotes, que, como sabemos, é crudelíssima com as cadelinhas procriadoras. Contudo, há de se levar em conta que os filhotes dessa indústria não têm culpa de terem vindo ao mundo para servir os interesses econômicos de criadores mal intencionados, e merecem um lar tanto quando os vira-latas. Enquanto as autoridades competentes não instituírem o fim desses canis - ou uma regulamentação que garanta o bem-estar das fêmeas -, terá de haver quem compre a ninhada, do contrário, já supomos o fim que lhe darão.
O outro problema é que talvez muitos dos que adotam vira-latas não sejam assim tão inocentes. Outro dia, a dona de uma vira-lata que conheci no parque onde levo a minha cachorra fez uma crítica muito inteligente que me fez pensar: ”Em Porto Alegre, ter um vira-lata agora é cool“. É verdade! Não tinha me dado conta disso, mas realmente há quem encha a boca para falar que seu cão é adotado e que é contra os canis. No final das contas, o vira-lata é um objeto para exibir o status de “sou legal e não dou bola para etiquetas e raças”. Nem os cães escapam do narcisismo dos humanos!
A verdade é que quem decide ter um cão deve fazê-lo porque gosta de cães e pronto. Em algumas ocasiões, preferir determinada raça faz mesmo sentido. Quem quer um cão de guarda que também seja divertido e brincalhão com crianças deve optar por um boxer. Nenhum vira-lata dá essa segurança quanto ao seu comportamento futuro. Em outros, exigir raça não faz sentido nenhum. Basta que tenha quatro patas, focinho e um rabinho abanante. Foi o meu caso. Queria uma fêmea de pequeno porte com pêlo curto e só. Não quis comprar um de raça por dois motivos: não achei necessário investir mais de R$ 500,00 em um filhote, sabendo que poderia adquirir um de graça, e também quis evitar os gastos constantes com veterinário, pois sei que cães de raça apresentam mais problemas de saúde.
Em suma: eu sou pelos cães. Os de raça e os rafeiros!
Muito bom Ana!!
Adoro teus textos, acho que tu poderia pegar todos do teu blog e colocar no livro, já tá pronto!!
Estes dias, andei pensando nisso também, concordo em tudo contigo, mas acrescentaria mais uma coisa.
Num dos passeios que faço com minha PimPom me surpreendi enquanto estava sendo meio preconceituosa (em pensamento, claro) com uma vizinha que tem uma poodle, olha só com é o ser humano!
E pior! Descobri que tenho um certo orgulho de exibir minha vira-lata pelo bairro. Serei narcisa também?!!
O pensamento preconceituoso com os cães de raça, disso eu já me livrei, espero!
Mas, se orgulho for uma forma de Narcisismo, e se ele estiver sendo usando pra mostrar que ter um vira-lata é tão bom, ou melhor que cães de raça, que assim seja! Vou desfilar com minha vira-latinha hehehe
PS: Também tenho orgulho de ser voluntária de um abrigo de cães abandonados. Quem sabe esta moda também não pega? rsrsrsrs
Beijos
Parabéns pelo artigo! Penso de forma semelhante… Grande abraço!